Em uma noite, perambulando pelas ruas da Cidade Luz, Paris, deparei-me com um ser que habitava apenas o ocultismo.
Desejava algo diferente do que já havia vivido.
E aconteceu. Meu corpo deu um mortal para frente em velocidade ascendente, como na escala Richter. Acordei em pé, no telhado de uma casa, com sete seres no horizonte. Sem pensar, ajustei o ritmo dos meus passos para encontrá-los.
Sentia-me diferente, como se não precisasse de ar. Um pensamento súbito e repetitivo invadiu meu subconsciente: eu estou morto.
Esperava encontrar tudo, menos palavras ríspidas e afiadas como uma lâmina de fio eterno, prenhe de toda razão.
Hoje, as lágrimas brotam quando entendo que eu era um jovem em caminhos equivocados. Quantos deles há? Isso preocupa os empáticos.
As lágrimas de gratidão são reais, um sentimento que busca esconderijo. Tenho que encará-las. Paradoxalmente.
Com mais responsabilidade, percebo um pouco do quanto Deus é amor infinito. Seu desejo puro em me ver feliz se manifesta até nos puxões de orelha amorosos. Ateísmo e agnosticismo, hoje? Tenho profunda empatia pelos argumentos que apresentam, embora sustentá-los seja tema para outra conversa.
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Perdi meu pai há quase três anos. Se não fossem as regiões neurais responsáveis pelas manifestações de fé, religiosidade e espiritualidade, eu não estaria aqui. Por diversos fatores, que ficarão para um próximo relato.
Ficou clara a manifestação de um conteúdo de transcendência e resiliência.
Não funciona falar com uma pessoa embriagada sobre os problemas do alcoolismo, certo? Ampliando o espectro: para cada texto que escrevo, sei que existe um público específico. É a consciência do público leitor. Alguns não passam das primeiras palavras.
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Os sete seres que encontrei quando jovem mostraram-me diversas linhas de destino e a mais provável. Lá em Paris, quem diria! Poderia ter sido em São Paulo ou na Floresta Amazônica. Quando iniciei as perguntas, eles acrescentaram as soluções de todas, dizendo: as fórmulas para a vida estavam em um local com o qual nenhum deles tinham simbiose – o meu coração. Sugeriram que eu trabalhasse para auscultá-lo, baixíssima sonorização.
Meus pensamentos do cérebro, diziam coisas absurdas que me colocavam em ciclos autodestrutivos. Consegui ouvir a primeira frase do meu coração: ‘Eu sou a melhor versão programada antes de nascer’. Dormi ou acordei.

Nota do Autor:
Escritor, fotógrafo/curtas-metragens amador e criador de conteúdo. Mantenho blogs em airfeliperp.medium.com (inglês) este em português, onde exploro saúde mental, arte e outras histórias curtas. IG @ airfeliperp / YT @ AirCurtas

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