Entre 40 e 50 anos, vivia sozinho no bairro da liberdade em São Paulo. Tinha fobia de elevador, guardou dinheiro e financiou uma casa. Seu trabalho era como escrivão, cerca de 30 minutos de transporte público até trabalho, hora do rush. Teve algumas namoradas ao longo da vida, duas ou três. Ficou com uma por mais tempo, noivou e acabou. Iria completar uma década solteiro, sem ninguém, pouquíssimos amigos. Gostava de peixes, não o suficiente para ter um aquário enorme, apenas um Betta era suficiente. Moderado. Não fumava ou bebia. Tinha uma alimentação consideravelmente boa, fazia exercícios na academia, embora não tivesse o corpo atlético. Sua dificuldade era em manter as amizades. Tinha uma personalidade forte e desvio natural comportamental, o que pensava em corrigir na terapia. Gastava a maior parte do seu tempo livre em MMORPGs, como não usava dinheiro no jogo online, tinha uma boa quantia guardada.
Ultimamente ele estava vendo muitos vídeos de carros esportivos antigos. Assistiu por meses. Pesquisou no Mercado Livre e achou barato. Ele tinha um Gol que comprou há 5 anos. Estava, pelo zelo, seminovo. Foi até uma loja especializada em carros usados e comprou um Opala V8. Muitos o perguntavam se gastava muita gasolina e ele respondia que não fazia viagens longas com frequência.
A vizinha. Mudou-se recente uma mulher com 55 anos, ao lado de sua residência, era uma casa que estava em reforma. Ele só reparou muito bem quando estava lavando seu carro na frente de sua casa, ela o cumprimentou. Não tinha filhos e também já estava solteira há mais tempo que ele. Era discreta. Ele tentou saber um pouco mais de sua rotina observando nas horas vagas. Seu jogo de RPG Online foi deixado de lado, porém ainda não entendia. Pensou melhor, por qual motivo não perguntar? Assim, iniciaram uma conversa madura. Bem estruturada, ambos deixando um pouco suas personalidades fortes, trazendo à tona seus lados mais simpáticos, deixando cada um responder mais um que o outro. Dessa forma, era o início de um relacionamento que iria dar em casamento. E foi assim.
No dia do Cartório, foram poucas testemunhas, só o exigido por lei, que ela, um pouco mais extrovertida e com algumas amizades chamadas para testemunhar. Ele não desejou casar-se na igreja, mas ela insistiu pelo menos uma benção de um pastor. Aceitou.
Após uma década de relacionamento, ele com seus desvios mentais para não manter relacionamentos de amigos, passou por psiquiatra e psicólogo, encorajado por sua esposa. Porém, ela foi presa. Quando estava conversando com ele, desabafou e falou do seu distúrbio de cleptomania. Disse que iria tratar. Ele começou a tirar racha, ela sentia um prazer que se aproximava na sua cleptomania. Dessa forma, viveram.


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