Subitamente, a alma de um senhor com idade para ser meu avô, aproximados 85 anos e muitas histórias marcadas nos olhos, retirou-se a alma. Era seu anjo da guarda, analisando-o. Enquanto ocorria, houve uma pausa temporal, para os encarnados. Seu anjo ficou pensativo. Hoje, enquanto ele dormiria, levaria de volta para outra galáxia. O tempo terreno havia cessado. Contudo, havia uma fagulha bem minúscula de pulsação divina. Um dos atributos angelicais é visualizar a mínima manifestação de fagulhas quando a alma é consultada. Deu ao vovozinho mais um dia de vida.
Quando acordou, não se ajoelhava por orientação médica, agradeceu a Deus mais um dia de vida. Em sua casa, ouviu o seu bisneto chorando. Vestiu-se rapidamente e foi ao encontro. E o diálogo foi o seguinte:
— O que aconteceu meu filho? — Disse com a voz rouca de despertar.
— Acertei uma pedrada no meu amigo e ele jurou-me de morte. — O vovô o fitava e em silêncio reviveu uma memória. — Diga, Vô! O que faço?
— Certo dia, com 35 anos de idade, bem mais velho que você, eu fui a um bar, mais famoso da cidade. Como ninguém me conhecia, pois, eu não saía como era o normal para minha idade, pensei que ficaria tudo bem. Quando pedi uma cerveja, alguém atrás de mim, disse: “Por minha conta”. Não neguei e iniciamos uma conversa. Esse alguém era chefe da maior organização criminosa do país, as pessoas não assimilavam que ele era o apelido ridículo que tentaram emplacar.
— Mas vô! Você não era policial? — O avô caiu na gargalhada.
— Sim, na realidade eu era da Polícia Federal e meu setor cuidava de lavagem de dinheiro, ou seja, nós íamos atrás de crime do colarinho branco, apelido que deram. Porém, muitos crimes se interligam, sim. Passei anos frequentando o Bar e conversando, sem falar que eu era policial, tive amigos que ficaram mais de 7 anos achando que trabalhava em Call Center. O que importa com a intimidade, o nosso lado ruim começa aparecer, e, no caso dele, iniciou oferecendo GPˋs (quando você completar 18 anos, ou menos, saberá). Desconfiei, e fiz algo que não gostaria, o famoso Ganso da polícia. Não teve como fugir, ou falava, ou era minha carreira. E para minha surpresa, sabe qual foi?
— Ele te jurou morte?
— Não, mas já havia fotos nossas em uma investigação já ativa. Se eu pudesse te aconselhar, o que é difícil, as coisas hoje são tão diferentes, eu diria: aguarde, ganhe o tempo que agora você pode perder.

Deixe um comentário