Os ataques continuavam. Sem cessar. O ruído era tanto que ela se assustava com o próprio barulho de seu calçado. Alarmes e altas vozes eclodiam. O inimigo já não se era determinado, eram variantes aleatórias desordenadas sem destino. A sua cabeça. A sua cabeça. Não havia guerra. Era sua mente que estava em bombardeio, uma mulher firme nos propósitos da vida, entre 15 à 30 minutos ela terá um Burnout. Sua melhor amiga era esquizofrênica. Antes de explodir, o que ela ouvia muito da querida, em um ímpeto decidiu ligar para ela. Ela orientou respirar, se localizar, beber água e jogar um pouco na nuca. Dessa forma, tudo descrito acima foi acalmando, ela diz: — Mesmo assim, sinto que terei um surto de burnout — A colega perguntou se havia guardado um pequeno remédio na carteira. Por sorte, estava lá, tomou e respirou, 3 minutos se passaram e tudo estava em silêncio absoluto. Não estava tendo um dia bom, acredita-se que ela já vinha com questionamentos que antes não fazia. Algumas lembranças ruins vinham em momentos desconexos e não desejava ter, como um episódio aos 10 anos o qual presenciou um bêbado na rua fazer suas necessidades há poucos metros de distância dela e dos pais. Ela decidiu procurar um psiquiatra.
— Como você conseguiria se definir, ou melhor, quem é Joana M.? — Indagou o Doutor. Afinal, alguém deveria quebrar o gelo, pois somente cumprimentos não se faz uma consulta.
— Trabalha muito, gosta do que faz, tem uma amiga e namorado. Já concluiu sua graduação e seu trabalho é intenso, acho que já falei sobre ele.
— Atualmente, qual sua profissão? — Novamente, o médico faz uma provocação.
— Profissão? Eu sou garota de programa. Isso te assusta? — Já esperando argumento retangular, o que mais ouvia.
— Em Amesterdão há uma rua para sua profissão, os jornais dizem que é bem difícil. Clientes chegam ao habitual noturno, as luzes são amenas avermelhadas. Alemanha, Áustria, Suíça, Grécia, Turquia, Hungria e Letônia são países os quais a profissão é regulamentada com diferente grau. No Brasil, havia hábito de pais levarem filhos para perderem a virgindade em zonas, popularmente conhecidas. Um costume não tão longo assim. Uma profissão que professores em Faculdades citam como a mais antiga, para surpreender os alunos. Fato. Como psiquiatra, acredito que toda, ou quase toda informação falada aqui você deveria saber. Entretanto, destacou-se sua formação universitária, qual curso?
— Enfermagem, sei passar um cateter até seu coração e fazer se apaixonar por mim. — Ambos riram
— Burnout é uma quebra mental, os que têm, acreditam que é ansiedade, porém está ligado a diversos fatores como: social, profissional, ambiente que passa maior parte do tempo, a dificuldade em ficar ociosa por um período, ouso dizer; genética, há divergência na literatura sobre isso.
— Como resolvo?
— Vou prescrever um medicamento que irá centralizar/ acalmar seu foco, apenas um e dosagem mínima. Indico, enfaticamente terapia ou psicoterapia, seja ela qual for a linha de pensamento. Eu como um psicofármaco consigo aliviar, porém, a raiz você solucionará com eles. Leva tempo, mas será seu melhor investimento.

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