Da Névoa à Luz: Álcool, Maconha e uma Jornada com o Transtorno Esquizoafetivo

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1. A Porta de Entrada: O Álcool na Adolescência

Aos 13 anos, perdi a consciência pela primeira vez após exagerar na dose de álcool. Foi o início de uma relação turbulenta com a substância que, anos depois, reconheceria como a verdadeira “porta de entrada” para outras drogas. Passado alguns anos, já como operador de telemarketing, cursando Administração em 2008: cigarro (5 a 10 por dia), sentia que parava a qualquer momento, e a maconha? Apenas uma curiosidade distante.

2. Maconha e Sensacionalismo: A Reportagem que Me Paralisou

Em 2009, uma reportagem na TV a cabo me congelou: um jovem teria desenvolvido esquizofrenia após fumar um único baseado. A cena da mãe mostrando documentos ao filho, que não reconhecia seu próprio rosto, era aterradora. Hoje, questiono: foi sensacionalismo midiático ou um alerta legítimo? Estudos como os publicados no The Lancet* apontam que o THC pode acelerar psicoses em quem já tem predisposição genética — algo que, aos 17 anos, ignorava.

3. O Colapso: Diagnóstico e os 7 Anos de Sobriedade

Em julho de 2011, tive meu primeiro psychotic break. Minha psiquiatra na época associou o episódio à maconha, mas hoje, após anos de terapia, o álcool foi o maior vilão. Parar com a cannabis foi fácil; já o álcool exigiu uma batalha diária. Completo 8 anos sóbrio neste fim de ano, e cada dia é uma vitória — não por força isolada, mas por buscar ajuda quando o peso fica insustentável.

4. Cannabis Medicinal: Ironia ou Esperança?  

Aos 21 anos, veio o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo, uma condição crônica que mistura sintomas bipolares e esquizofrênicos. Hoje, ironicamente, minha psiquiatra prescreve remédios derivados de cannabis para pacientes com dores crônicas ou ansiedade. No meu caso, porém, a sensibilidade com gatilhos me afasta dessa opção. A lição? Mesma planta que pode desencadear crises em alguns é alívio para outros.  

5. Arte na Recuperação: Quando as Palavras Salvam

A escrita, a fotografia e os vlogs tornaram-se minha base. Mesmo no bloqueio criativo — como agora, enquanto tento ressuscitar minha rotina de textos —, essas formas de expressão me lembram que a arte é terapia. Trabalho com Vendas/ Marketing, desenho, e mantenho blogs em português e inglês.

Nas histórias compartilhadas encontro propósito.

*Referência: Volkow, N. D., Baler, R. D., Compton, W. M., & Weiss, S. R. (2014). Adverse health effects of marijuana use. New England Journal of Medicine, 370(23), 2219-2227. (Nota: Este estudo foi mencionado em discussões sobre o tema na The Lancet, mas a referência direta pode ser encontrada no NEJM).

Imagem de Dmitriy por Pixabay

Nota do Autor:

Escritor, fotógrafo e criador de conteúdo. Mantenho blogs em airfeliperp.medium.com (inglês) essa em português, onde exploro saúde mental, arte e histórias de reinvenção.

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