Com o poder de realizar algo impossível, o que faria? Algo relacionado à sua saúde física ou mental? Os seres humanos suscetíveis a patologias enfrentam desafios únicos.
Lembro-me do início da minha fase adulta, quando alguém, cujo nome não recordo, me disse para cuidar da saúde, inclusive mental, pois um dia todos, ou quase todos, enfrentaremos. Em estado de moleque petulante, retruquei: “É óbvio, caso contrário não haveria morte”. Neste primeiro bloco, leitores(as), se não houve identificação, levantem as mãos ao céu, agradecendo pela saúde. Minha resposta preconceituosa e imoral, coloca-me em eterna batalha com preconceitos internalizados. De início, relutei em me abrir. De 2011 até 2018 tentei esconder ou falar somente com pessoas muito próximas. Relato hoje: estou há 14 anos em tratamento contínuo de saúde mental, acompanhado por psiquiatra, medicado e sem previsão de alta. Ainda assim, funcional.
Na época em que fui provocado, eu não compreendia que a saúde mental corresponde à saúde. Era o ano de 2008. Combati e combato muitos preconceitos internos. Envergonho-me, reconheço e renasço mais alerta e vigilante.
Reiterando, entre 18 e 20 anos, falava sobre saúde mental em voz baixa, a fim de não expor quem possuía transtorno. No meu universo, sem experiência de vida, haviam pessoas que trabalhavam, estudavam e as chamadas lunáticas, para mim. “Lunáticos” é um dos termos mais antigos para condições de saúde mental. Com bagagem suficiente para afirmar que todos têm preconceitos, como as frases que em breve deixaram de existir:
1. “Você é esquizofrênico, por acaso?”: não é adjetivo pejorativo e nem xingamento; até o momento, você demonstrou falta de empatia e falou de forma precipitada ao criticar alguém com uma condição grave e com muito sofrimento.
2. “Você é bipolar!” não significa entre tristeza e felicidade, tampouco implica inferioridade como ser humano.
3. “Você é um retardado mental”: quem usa essa frase não é melhor do que alguém com deficiência intelectual; rebaixar qualquer pessoa, seja portadora de deficiência intelectual, bipolaridade, esquizofrenia ou outras condições, é errado e não torna esses indivíduos inferiores a transtornos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e outros que afetou parte significativa na última década e meia.
4. Concluindo: os medicamentos contra depressão, ansiedade e síndrome do pânico evoluíram bastante para quem sofre dessas patologias. Quer um fato interessante? Os remédios destinados à esquizofrenia e transtorno bipolar não avançaram tanto[1]. Sem preconceitos, ou para quem começa a compreender do que se diz, a indústria farmacêutica funciona dessa forma, o que fornece um assunto para uma nova crônica.

Nota do Autor:
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Escritor, desenhista, fotógrafo/ curtas-metragens amador e criador de conteúdo. Mantenho blogs em airfeliperp.medium.com (inglês) este em português, onde exploro saúde mental, arte e outras histórias curtas. IG @ airfeliperp / YT @ AirCurtas
[1] Informação de vídeo de um(a) psiquiatra em podcast, salvo engano.
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