Redenção na Cachoeira: A Jornada de Katrina Marina

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Katrina Marina estava debaixo de uma cachoeira, sua bicicleta há alguns metros em solo, veio só. Suas roupas e pertences em uma mochila amarrada em sua bicicleta. Ela ansiava por meses aquele momento que acabou por esquecer mentalmente sua bicicleta, seus pertences e/ ou roupas de banho. Não pensava em nada e agradecia tanto a Deus, não parava de falar em meia voz: “Deus, obrigado, Deus Pai e Deus Mãe, Mãe Natureza obrigada”. Um anjo estava passando e viu uma bola de uns 2 metros de diâmetro cintilar luz debaixo da cachoeira. Parou, olhou de novo por outro ângulo e ouviu o quase sussurro e ficou enebriado. Cada palavra que ele ouvia, ela não conseguia ver as lembranças, todos os livramentos, todas as armadilhas que foram desfeitas, ela apenas rezava todos os dias, não pulava um sequer. O anjo abençoou e ela sentiu uma energia de bem-estar muito grande e uma vivacidade em querer recomeçar.

Como ela foi parar ali com essas emoções? Ela estava em outra cidade, não muito distante dessa, dava uns 20 minutos de ônibus. Por que ela foi para aquela? Promessas de amor, drogas, dinheiro e outras coisas mundanas. Em alguns anos de extrema dificuldade financeira, e as crianças que ela era responsável iniciou através de uma amiga, que conseguiria colocá-la e tirá-la do emprego sem alguém se intrometer. Começou sua saga de pouco mais de dois anos como G.P.

O inferno tinha começado, segundo ela, que ainda afirma: andava pelo vale da sombra da morte, a maioria dos homens casados, algumas absorviam as energias ruins, outras com seus segredos. Existiam ainda aquelas que pareciam não se importar e viviam tranquilamente. 99,9% estavam por causa do dinheiro e tinham planos. As novatas não tinham planos, contudo eram amparadas e orientadas pelas veteranas.

Ao fim, ela já tinha passado a tutela para outras mulheres, pago suas dívidas e essa é a pior e melhor parte, paradoxalmente. Quando ela chegou até seu agiota, ele logo perguntou antes dela começar a falar: “Você ainda tem coragem de vir aqui? Faz 7 meses que estamos te cobrando, e muitas dessas cobranças não houve uma resposta sequer — surge 4 seguranças armados — Qual o motivo de sua visita?

Ela não disse nada e entregou um envelope, com 5 mil reais fora os juros mensais exorbitantes. O agiota fala somente: feito. Ela vira as costas e saí. Quando desce na calçada começa a correr, como se não houvesse amanhã, sua mochila quase escapa e pega o primeiro ônibus para voltar a sua cidade próxima. Assim que chega, compra uma bicicleta e segue até a cachoeira, precisava lavar a alma.

Imagem de Brigitte Werner por Pixabay

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