O nascimento de um poema, uma inteligência artificial e um recém-nascido

A vida, como se apresenta, quando há o cuidado em programar a vinda de um(a) filho(a), a gestação transcende a poesia. O nascimento, tal qual desejado, de forma natural, supera Camões, Fernando Pessoa, Baudelaire, Drummond e todos(as) os(as) consagrados(as). A poesia, a obra no todo, os buscadores de palavras para instantes e métricas, fica pequenina ao filmar o olhar dos pais para seu bebê. A poesia busca internalizar o instante. Como dizia um amigo psicanalista que se foi: “Suas obras literárias, seus escritos e poemas são seus filhos(as)”. De fato, o começo inicia bem se consideramos o que escrevemos um desdobramento, com incubação e parto da obra. 

Não chega perto da cena de um nascimento de uma criança, concorda? 

Longe de mim objetificar os partos. Os poetas buscam deixar aqui ou ali um pouco mais belo, reflexivo, pensativo e poético. Na maioria deles e o parto transcende. Nenhuma máxima autoral e inédita conseguirá chegar próximo. 

A comparação é sobre uma nova revolução, tal qual a Revolução Renascentista. Há 500 anos, o mundo saiu do movimento bizantino para o renascentista. Gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Raffaello Santi e Dante Alighieri são personalidades até hoje estudadas. E novas descobertas dentro do movimento renascentista. Nas obras bizantinas o bidimensional era comum, no renascentismo: a profundidade. Através da genialidade de Leonardo da Vinci, ele insere ponto de fuga, tridimensionalidade com técnica de esfumato. Citando apenas Da Vinci. 

A inteligência artificial hipervalorizada ou desvalorizada, com ou sem delírio coletivo avança sem pedir licença. Com anos e alguns meses de evolução dessas inteligências, causa certa confusão mental. O que é ou não realidade? Isso incomoda. 

Por outro lado, penso que a internet impulsionará um nível melhor de qualidade informativa. Afirmo um novo “renascimento”. Próximo da Revolução Renascentista, com milhares de pessoas produzindo e refinando. Um exemplo da linguagem: a dificuldade em elaborar textos com a gramática e ortografia perfeita, sem a necessidade de reescrever diversas vezes, apenas um comando e um olhar apurado para que o conteúdo não fique pedante.

Nessa perspectiva, o que foi uma das principais características, a tridimensionalidade nas obras de arte, tinta a óleo nas telas, acredito que vivemos uma revolução textual/ visual. Descrições no Instagram/ Facebook ou outra plataforma, os textos estarão com maior qualidade. E qual é sua melhor qualidade? Melhor entendimento. E melhor entendimento, melhor fica a comunicação. Reflito, ao mesmo tempo que a comunicação pode ser desvirtuada com as I.A.`s criadas, pessoas em contextos fictícios, em locais fictícios, a I.A. pode trazer coesão e objetividade. Boa revolução na comunicação, na expressão do interlocutor-destinatário. 


Image by Brian Penny from Pixabay

Nota do Autor:

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Escritor, desenhista, fotógrafo/ curtas-metragens amador e criador de conteúdo. Mantenho blogs em airfeliperp.medium.com (inglês) este em português, onde exploro saúde mental, arte e outras histórias curtas. IG @ airfeliperp / YT @ AirLabouré

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